Boletim · Ed. 35 · Setembro de 2026

Pay2Key mira Proxmox e coloca a estratégia de recuperação no centro da defesa contra ransomware

ARX CYBER 6 min de leitura

Nova variante Linux mostra que hypervisors e backups também passaram a integrar a superfície crítica de ataque das organizações.

O avanço das campanhas de ransomware ampliou significativamente o impacto potencial desse tipo de ameaça. Além da criptografia de arquivos em servidores e estações de trabalho, os operadores passaram a direcionar esforços para a infraestrutura de virtualização e para os mecanismos de recuperação, buscando comprometer a capacidade da empresa de restaurar seus serviços após um incidente.

A variante Linux do Pay2Key, analisada pela Halcyon, demonstra claramente essa evolução. Desenvolvido com funcionalidades específicas para ambientes Proxmox Virtual Environment (VE), o malware consegue identificar a plataforma, mapear o cluster, interromper máquinas virtuais e containers, remover mecanismos de proteção de backups, excluir cópias de recuperação e iniciar a criptografia dos dados.

Esse comportamento coloca o hypervisor em uma posição ainda mais crítica dentro da estratégia de cibersegurança. Quando o atacante consegue assumir privilégios elevados sobre essa camada, ele passa a ter acesso a recursos capazes de afetar simultaneamente diversos sistemas, workloads e mecanismos de recuperação.

Como o Pay2Key atua no ambiente Proxmox

Após obter privilégios elevados, o Pay2Key verifica se está sendo executado em um ambiente Proxmox. Para isso, procura componentes e estruturas específicas da plataforma, incluindo o diretório /etc/pve, que contém informações importantes sobre a configuração do cluster.

A ameaça também utiliza a ferramenta administrativa pvesh para consultar os recursos disponíveis no ambiente. Esse processo permite identificar máquinas virtuais, nodes, storages, containers e outros componentes associados à infraestrutura virtualizada. Com essas informações, o atacante consegue compreender a estrutura do ambiente antes de executar ações destrutivas.

A sequência identificada pelos pesquisadores envolve o comprometimento inicial, a obtenção de privilégios, a identificação do hypervisor, o mapeamento do cluster, a interrupção das máquinas virtuais, a exclusão dos backups, o encerramento de serviços, a criptografia dos dados e a redução dos vestígios deixados no sistema.

Esse nível de especialização mostra que as campanhas de ransomware estão evoluindo para compreender melhor as tecnologias utilizadas dentro das empresas e aproveitar recursos administrativos legítimos para ampliar o impacto do ataque.

O risco para os backups

Um dos aspectos mais relevantes do Pay2Key está relacionado à capacidade de interferir diretamente nos backups gerenciados pelo Proxmox. A plataforma permite proteger determinadas cópias contra exclusão, mas a variante analisada consegue remover essa proteção e posteriormente solicitar a exclusão dos backups por meio da própria API do cluster.

Esse cenário merece atenção porque uma organização pode possuir backups funcionando corretamente e ainda assim enfrentar dificuldades de recuperação caso essas cópias permaneçam sob o mesmo domínio administrativo do ambiente comprometido. Se as credenciais utilizadas para gerenciar o hypervisor também permitirem administrar ou remover os backups, um comprometimento privilegiado poderá alcançar tanto os sistemas de produção quanto os recursos utilizados para restaurá-los.

Por isso, a avaliação da estratégia de backup precisa considerar a sobrevivência das cópias em um cenário de comprometimento completo da infraestrutura de virtualização e das credenciais administrativas.

Controles que precisam ser revisados

A proteção de ambientes Proxmox deve começar pelo controle rigoroso dos acessos administrativos. Contas privilegiadas devem ser limitadas ao mínimo necessário, protegidas adequadamente e monitoradas de forma contínua. O uso de ferramentas como pvesh, qm e pct também deve ser acompanhado, principalmente quando houver comandos relacionados a exclusões, interrupções de workloads ou alterações administrativas fora do padrão esperado.

Outro ponto importante é o monitoramento das atividades realizadas dentro do cluster. Consultas inesperadas ao ambiente, desligamentos de máquinas virtuais, mudanças na proteção de backups, exclusões de conteúdo e uso incomum das APIs podem representar sinais relevantes durante as fases iniciais de um comprometimento. O acesso anormal ao diretório /etc/pve também deve ser considerado um evento de interesse para as equipes de segurança.

Alterações inesperadas nos mecanismos de segurança do sistema operacional também precisam ser monitoradas. A variante analisada tenta desativar componentes como SELinux e AppArmor antes de avançar para outras etapas do ataque. Quando esse comportamento ocorre fora de uma atividade administrativa conhecida, ele pode representar um indicador antecipado de comprometimento.

A arquitetura de backup também deve ser revisada. A recomendação é manter pelo menos uma cópia fora do alcance administrativo direto do ambiente de produção, utilizando recursos como armazenamento imutável, Object Lock, infraestrutura isolada ou cópias offline e air gapped. Essas medidas aumentam a possibilidade de recuperação mesmo quando o ambiente principal sofre comprometimento severo.

Virtualização deve fazer parte da estratégia contra ransomware

O caso Pay2Key reforça a necessidade de incluir a infraestrutura de virtualização nas estratégias de prevenção, monitoramento e resposta a incidentes. Ambientes que concentram múltiplas cargas de trabalho em um mesmo hypervisor possuem alto valor operacional e, por consequência, podem oferecer aos atacantes uma forma de ampliar rapidamente o impacto de um comprometimento.

Organizações que utilizam Proxmox precisam avaliar a segurança das credenciais administrativas, a segregação dos acessos, a visibilidade sobre as atividades realizadas no cluster e a independência dos mecanismos de recuperação. Uma arquitetura baseada em hypervisor, backup local e proteção contra exclusão pode apresentar limitações quando o próprio ambiente administrativo utilizado para gerenciar esses recursos é comprometido.

O Pay2Key também reforça a importância de tratar backup e recuperação como partes distintas de uma mesma estratégia de continuidade. Para que uma cópia realmente contribua para a resiliência da empresa, ela precisa permanecer acessível e íntegra mesmo diante do comprometimento da infraestrutura de produção, das credenciais privilegiadas e do próprio hypervisor.

Fonte

Como a ARX CYBER pode apoiar sua organização

A proteção contra ransomware exige visibilidade sobre diferentes camadas do ambiente, incluindo identidade, endpoints, rede, virtualização e infraestrutura de backup. A correlação desses eventos permite identificar comportamentos suspeitos mais cedo e reduzir o tempo de resposta diante de um possível comprometimento.

A ARX CYBER apoia empresas na avaliação e proteção de ambientes críticos por meio de monitoramento contínuo, gestão de vulnerabilidades, proteção de endpoints e identidades, análise de eventos de segurança, resposta a incidentes e revisão de estratégias de recuperação.

Avaliar antecipadamente os pontos de exposição da infraestrutura permite identificar dependências, privilégios excessivos e fragilidades na estratégia de recuperação antes que sejam explorados em um incidente real.

Acesse o site da ARX CYBER e fale com nosso time para avaliar a resiliência do seu ambiente contra ransomware e outros ataques direcionados à infraestrutura crítica.

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